quinta-feira, 28 de abril de 2016

Nomes do Brasil


Muito interessante essa de pesquisar os nomes pelo Censo do IBGE. Chama atenção é que 30 pessoas foram registradas como Rex. Destes, 29 homens e uma mulher.

Outras curiosidades aleatórias

No Brasil, 1.138 tem nome de Brasil, 32 Brazil e 1.390 são Brasília. Também temos 340 que se chamam Branco, 342 Nego (Negro não tem) e 379 Índio. Ninguém é Pardo.

Da Natureza, existem 531 Leão, 86 Coelho e 117 Anta. Do Império, 81 Princesa, 77 Rainha e 137 Rei. Mas sem Príncipe. Dos plebeus, ainda há 40 Fulano e 24 Beltrano andando por aí. Nenhum Sicrano. Falando em andar, não tem Chinelo nem Sapato. Mas 34 brasileiros tem o nome Tênis.

Por fim, 234 são Deus, 35.774 Jesus e não há Diabo, Demônio ou Capeta no Brasil.

Neste Link, é possível pesquisar os nomes. - http://www.censo2010.ibge.gov.br/nomes/#/search/response/5

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Coletânea de Contos Ganha Destaque no Jornal Zero Hora


Sou citado no Segundo Caderno do jornal Zero Hora de hoje. Participo da coletânea Antologia Clint Eastwood, com o conto Vento Mistral.

Já falei sobre isso por aqui. É uma boa dica de leitura - https://antologiaclint.wordpress.com/.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Vento Mistral - Conto Inédito


Tá o ar a Antologia Clint Eastwood. A ideia foi construir uma história, um conto, tendo o ator como mote. Diversos escritores bacanas abraçaram o desafio.

Quem teve a ideia, organizou e mobilizou essa gente toda (de muitas cidades do Brasil) foi o grande Diego Moraes.

Eu tô dentro com o conto Vento Mistral.

Ele era do tempo que velhos jogavam dominó e dama nas praças. Do tempo que velhos ficavam sentados em frente a suas casas, contando o número de pessoas conhecidas que circulavam – e tentando memorizar o nome de todas. Também haviam os velhotes que consertavam coisas – com suas ferramentas gastas –, escondidos o dia inteiro em garagens ou porões abafados. Esses, que eram todos os que ele conhecia, só recebiam o mínimo de atenção em confraternizações aos finais de semana, geralmente, churrascos com a família. Entretanto, não eram interações significativas. Eles ficavam em um canto, recebiam bebidas e eram questionados se estava tudo bem. Quando falavam, os velhos só eram ouvidos em suas primeiras palavras. Depois, a maioria dispersava.

Velhos não chegavam nem perto de completar 85 anos. Por isso, ele estava surpreso nessa manhã. Recordava como viviam os homens e mulheres da sua idade em “seu tempo” – ou, melhor dizendo, a época quando ele era jovem. Porém, o mundo mudou um bocado e ele tinha uma importante reunião de trabalho agendada dali a poucas horas. Estava orgulhoso. Afinal, ele, de forma instintiva, ajudou a modificar o modo como as pessoas encaravam os idosos. Sentiu-se lisonjeado por sua luta invisível. Tinha uma bandeira para hastear, mas não tinha um discurso como daqueles ativistas insuportáveis. Durante esse devaneio matinal, chegou o termo que tanto buscava: útil. Diria, sem sombra de dúvida, que ainda era de serventia para algo. Um velho útil.

Clique no link e leia o resto da história - https://antologiaclint.wordpress.com/2016/04/19/vento-mistral/

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Recado de Rubens Francisco Lucchetti


Quando alguém como Rubens Francisco Lucchetti fala a gente tem que ouvir. São mais de 1.5 mil livros publicados e 86 anos de vida. O recado dele está dado:


O que me deixa mais triste é a incompreensão e o desprezo da maior parte dos leitores brasileiros com relação aos livros escritos por brasileiros.

Nossos leitores, em sua maioria, só leem e querem ler o lixo de sempre vindo sobretudo das terras de Tio Sam (aí, eu incluo as hqs). Não prestigiam o produto nosso. Já vão logo dizendo: É UM LIXO! Não é bem assim. Esses leitores não sabem que os livros made in USA são escritos por equipes e não por uma única pessoa. Nosso escritor tem de fazer tudo. Escrever, revisar, pagar para seu livro ser editado e, depois, vendê-lo "de porta em porta".

Digo: se o leitor nacional não prestigiar o autor nacional, ninguém o fará.

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Leia Mais sobre o autor - "Esquecido", autor brasileiro de mais de 1.500 livros renasce no Facebook 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Oh! Rebuceteio 30 Anos Depois: Encontrando Letícia


Eu nunca desisti de encontrar Letícia. Para quem não sabe, Letícia é a personagem principal do filme Oh! Rebuceteio, de 1984, dirigido por Cláudio Cunha (1946-2015). Desde que assisti pela primeira vez esse clássico do cinema nacional, no início dos anos 2000, busco informações sobre a bela mulher que interpretou Letícia.

Para quem não viu, Oh! Rebuceteio é um clássico da pornochanchada. Muitos títulos da época recebiam essa alcunha (sempre pejorativa) sem serem, de fato, de sexo explícito. Este, não. Pornochanchada é uma nomeação com mérito! Ele é pornô mesmo e tem um apelo ao “pastelão” ou a tal chanchada. Entretanto, é muito mais que isso.

A sinopse é basicamente uma sátira ao teatro brasileiro. O roteiro, assinado por Cláudio Cunha e Mário Vaz Filho, é bem amarrado e abusa dos estereótipos nos personagens. Tem a jovem ingênua e aspirante a atriz (já citada Letícia); a mãe esperançosa dessa atriz; o diretor verborrágico e experimental; o assistente homossexual; o ator que quer fama a qualquer preço; o produtor executivo que só busca o retorno financeiro. Eles contribuem para que a enredo seja conduzido de uma forma muito debochada, repleta de falas com altas doses de sagacidade e ironia. O que seria um desastre para qualquer história, nessa faz todo sentido. A intenção é gozar (alerta de duplo sentido) da pretensão da classe artística.

As cenas de sexo explícito não são gratuitas. A maioria está atrelada a um happening proposto pelo diretor, Nenê (interpretado pelo próprio Cláudio Cunha), que busca a tal de metapraxis, a espontaneidade dos atores, com o objetivo de que a peça seja bem sucedida em seu conceito. A interpretação e a trilha sonora original, composta por Zé Rodrix e Miguel Paiva, são outros trunfos que merecem a atenção do telespectador. Por isso, não é exagero afirmar que Oh! Rebuceteio está entre os melhores filmes do gênero em todos os tempos, ao lado de Garganta Profunda (1972), O Diabo na Carne de Miss Jones (1973) e Calígula (1979).

A cena mais emblemática foge do cenário palco do teatro, onde transcorre a maioria da trama. Letícia vai a um estúdio para realizar ensaio fotográfico e (tome mais um clichê aí) transa com o fotógrafo. A iluminação, maquiagem, enquadramentos, música (cantada por Zé Rodrix e citando o nome da personagem) e interpretação são memoráveis, de profundidade e beleza raríssimas em qualquer tipo cinematográfico.


Esse é o motivo da minha busca. Saber o que passou na cabeça daquela mulher que, segundo o cartaz, se chama Eleni Bandettini. Entender por que ela topou estrelar Oh! Rebuceteio. Seria ela ingênua e sonhadora como sua personagem? Teria acreditado também em todo aquele discurso presunçoso? São interrogações que não encontro respostas e acabam fortalecendo a relevância do filme, pois transformam Letícia em um objeto real. Alguém que se equilibrou entre a arte e a realidade.

Ela poderia esclarecer tudo. Mas Letícia sumiu. As pesquisas em fóruns, sites de cinema e em Googles da vida não davam certeza de seu nome verdadeiro, quanto mais de seu paradeiro. Sequer se está viva ou morta. No Yahoo Respostas a questão está no ar desde 2007. “Quem sabe me dizer quem foi Eleni Bandettini?”. Ninguém sabe. A possibilidade dela só ter feito um filme, se arrependido e não ter deixado rastro era real.

Até que a encontrei. Não pelo seu nome, óbvio. Não vou contar como se deu. Mas tentei trocar algumas mensagens com ela e não obtive sucesso.

O que posso afirmar é que, atualmente, Eleni Bandettini (que deve ter entre 50 e 55 anos) é artista plástica, empresária do ramo de decoração de interiores e vive em São Paulo capital. É conhecida por um apelido carinhoso e o sobrenome do segundo marido (não imagino que tenha trocado de nome realmente, mas também não duvido). Ela tem um filho de seu primeiro casamento, que criou praticamente sozinha, e uma neta. Hoje, o palco que importa é o da igreja que frequenta, onde dá seus testemunhos a outros fiéis. “Aceitei Jesus aos 38 anos”, diz ela em um vídeo voltado as “femininas” da congregação. Nesse mesmo depoimento, cita o envolvimento do filho com as drogas e a dificuldade para lidar com a situação. Fala que viveu uma "vida de pecado" e compreende os percalços que passou. Porém, de Letícia nenhuma lembrança que valha a pena ser compartilhada com os demais. Letícia ficou no passado.

Letícia só naquele filme. Naquele filme que ficará para sempre.

Foto de janeiro de 2016


quarta-feira, 13 de abril de 2016

A Hora e Vez dos Clássicos: Passeio Noturno I e II - Rubem Fonseca


Autor de Feliz Ano Novo, O Cobrador e Agosto

PASSEIO NOTURNO - PARTE I
Rubem Fonseca


Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar. Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?

A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos uma conta bancária conjunta.

Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.

Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.

Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.

A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.


PARTE II


Eu ia para casa quando um carro encostou no meu, buzinando insistentemente. Uma mulher dirigia, abaixei os vidros do carro para entender o que ela dizia. Uma lufada de ar quente entrou com o som da voz dela: Não está mais conhecendo os outros?

terça-feira, 12 de abril de 2016

Um Riso Debochado


Eu estava internado numa ala do Hospital de Pronto Socorro. Pneumotórax. Um cano entre as costelas. Morfina. Alguém da minha família teve a dignidade de me trazer um radinho de pilha. Não lembro mais muita coisa desse período. Sei que faz um tempo.

Sei que liguei o rádio para ouvir Grêmio x Paraná. Era fim de segundo tempo quando Tavarelli, goleiro gremista, tomou um frango. 1x0 Paraná. O jogo acabou. O narrador bradava impropérios. “O Grêmio é grande demais para esse vexame!”. No pós-jogo, os torcedores gremistas que foram até o Curitiba espumavam aos repórteres. Outros, quando iam começar um discurso, choravam copiosamente. Sofriam com a sombra da segunda divisão.

Eu, pesando 73 quilos, estirado naquela maca fria e rodeado de homens debilitados, sorria. Sem força. Um riso sem som. Mas um riso debochado.

O futebol é fascinante.


sábado, 9 de abril de 2016

Viver Para Escolher Um Clichê


O amor tinha se tornado uma dívida, com altos juros cobrados. Não eram só as parcelas da casa própria, uma dívida de 30 anos. Não era só a falta de desejo em retribuir os bons serviços prestados. Era o fato de que tudo parecia ridículo. Arrastar as coisas da sala e dançar, agora, soava infantil até. Antes, não. Antes, eles não tinham nada na cabeça, preocupavam-se apenas um com o outro. Antes, era só não pisar nos pés dele e dela quando faziam o “dois pra lá, dois pra cá”. Hoje, Preciso do Teu Sorriso, de Dominguinhos, é só uma suave lembrança, que ambos evitam. Faltava um bocado para amortizar a tal dívida. A rotina irremediável. Na intimidade, a impressão é que haviam instalado um cartão-ponto na cama. Por mais que tentassem evitar, eles se obrigavam a olhar pra frente. Não queriam sentir um leve desespero. Preferiam assistir seus pés criando raízes, rachando o concreto do apartamento de um dormitório. Até que ela resolveu sair, com sua arte pretensiosa e o desejo de viver outros clichês. Quando ele toma coragem e pergunta dela, dizem que parece realizada – ou estaria fingindo bem. “E você, como está?”. Ele não sabe o que responder. Não sabe definir sua nova solidão.

sábado, 2 de abril de 2016

Agendando Uma Consulta


- Alô! É da clínica de traumatologia?
- Sim.
- Quero marcar consulta.
- Qual seu plano?
- Unimed.
- Posicionamento ideológico?
- Centro-esquerda-direita.
- Hum... Infelizmente, não temos médico para o senhor.
- Por que?
- É que o doutor Toniolo é anarquista.

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Para entender o que motivou a criação desse diálogo clique aqui.